Há poucos dias, no palco do Web Summit Rio, Neil Patel decretou que "o clique morreu, e a maioria das empresas ainda não percebeu."
A IA entrou no meio do caminho entre a pergunta e a resposta. Antes, você pesquisava, via uma lista de links e visitava alguns sites para decidir. Agora você pergunta ao ChatGPT, ao Gemini, ao Claude, e recebe uma resposta já pronta. Os números acompanham: o CTR orgânico para buscas com resumo de IA no Google caiu 61% desde meados de 2024, segundo estudo da Seer Interactive. E mesmo em buscas sem resumo de IA, a queda foi de 41%. As pessoas simplesmente clicam menos, em todo lugar.
Visibilidade e tráfego se separaram e este cenário mudou mais do que a forma de medir o resultado. O tráfego orgânico caiu 28% em seis meses, mas sua marca pode estar mais presente do que nunca, citada e recomendada dentro dos agentes, e ainda assim ver as visitas ao site despencarem.
Na busca tradicional, o segundo e o terceiro lugar ainda levavam tráfego. Na resposta da IA, a recomendação é uma só. Como o próprio Patel colocou, quem não é citado, na prática, não compete. O pódio virou degrau único.
A pergunta deixou de ser "como eu apareço?" e passou a ser "como eu sou citado?".
E a resposta me interessa porque ela não mudou de natureza, continua sendo conteúdo. "Tudo começa na criação de conteúdo", diz Patel, e faz sentido. A IA não inventa, ela cura o que já existe. Ela recomenda quem tem um dado próprio, uma análise que ninguém mais fez, um ponto de vista que só aquela marca poderia ter. O mesmo estudo da Seer mostra que marcas citadas nos resumos de IA do Google receberam 35% mais cliques orgânicos do que as não citadas. Quem repete o consenso vira ruído de fundo. Quem constrói autoridade real vira a citação, e ainda leva o tráfego que sobra junto.
A diferença está no destino, não no caminho. O conteúdo continua sendo a base de tudo, só que agora trabalha para uma menção, e não mais para um clique. Mas a IA não cita qualquer conteúdo. Ela cita o que tem personalidade, aquele que carrega a essência da marca, a identidade, um ponto de vista próprio. É exatamente o que o trabalho de digital branding constrói.
Se um agente de IA recomendasse uma empresa do seu setor hoje, ele citaria a sua? Se a resposta não vem rápido, o problema não é o seu tráfego. É o que você anda publicando, e por quê.



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